domingo, 21 de junho de 2009

Sinapses elétricas


Além das características já apresentadas sobre as sinapses químicas, é relevante ressaltar o papel que elas desempenham na manutenção da homeostase, devido à sua capacidade de transmitir certos impulsos e inibir outros. O fato de a maioria das doenças do encéfalo e muitos transtornos psiquiátricos resultarem da ruptura da comunicação sináptica comprova a importância dessa função desempenhada pelas sinapses, que, por isso, representam o local de ação da maioria das drogas que afetam o encéfalo.

Outra consequência direta das características apresentadas por esse tipo de sinapse é a transmissão unidirecional da informação, o que significa que a condução do impulso ocorre em uma única direção, passando sempre do axônio pré-sináptico para uma célula pós-sináptica.



SINAPSES ELÉTRICAS






Nesse tipo de sinapse, há comunicação direta entre as células envolvidas; por isso, a propagação do impulso não é mediada por neurotransmissores.

A transmissão, nesse caso, ocorre devido à presença de junções tipo fenda entre as células, formadas por proteínas denominadas conexinas. Esses canais permitem a passagem direta de íons inorgânicos e pequenas moléculas solúveis em água do citoplasma de uma célula para outra, o que liga as células eletricamente (e também metabolicamente). Isso permite que os potenciais de ação se espalhem rapidamente de uma célula à outra, sem a "demora" que ocorre nas sinapses químicas.

Este tipo de sinapse é vantajoso quando a velocidade e a precisão na transmissão do impulso são fundamentais. Pode ser verificada, nos vertebrados, em células do músculo cardíaco, uma vez que a ligação elétrica sincroniza suas contrações, e dos músculos lisos, responsáveis, por exemplo, pelos movimentos peristálticos do intestino.

A permeabilidade das junções tipo fenda pode ser regulada de várias formas (como variação do pH, aumento da concentração de Ca+ livre), em resposta a mudanças celulares. Dentre elas, a mais relevante para a análise da propagação do potencial de ação é a regulação por dopamina. A liberação desse neurotransmissor em células da retina, por exemplo, em resposta ao aumento da intensidade luminosa, reduz a comuniação das junções tipo fenda entre elas, o que auxilia a retina a intercalar o uso de fotoreceptores em bastão (bastonetes), bons receptores para pouca luz, e em cone, que detectam a cor e a precisão dos detalhes na luz clara.

Diferentemente do que ocorre nas sinapses químicas, as características das sinapses elétricas, sobretudo no que diz respeito à comunição direta por canais, permite que a corrente iônica, em geral, passe adequadamente em ambos os sentidos, tornando a transmição do impulso nervoso potencialmente bidirecional.




Referências Bibliográficas:



Goodman, L. S. & Gilman, A. As bases farmacológicas da terapêutica. 9a edição, 1996.


Alberts, Biologia molecular da célula. 4a edição, 2004.


www.afh.bio.br/nervoso/nervoso2.asp




Postado por Carolina da Silveira Alves.

2 comentários: