quarta-feira, 24 de junho de 2009

Neuropeptídeos


Durante a década de 1980 foram descobertos novos peptídeos capazes de regular determinados aspectos da função neuronal e atuar para a modulação de respostas somáticas diversas, como a sensibilidade e as emoções (substância P e encefalinas), a fome, dor, prazer, respostas ao estresse (β-endorfina, adrenocorticotrofina, entre outros), entre diversos outros processos, totalizando mais de 50 neuropeptídeos classificados como excitatórios ou inibitórios.

Esses peptídeos derivam de poliproteínas precursoras, sendo que um precursor, codificado por um gene, pode dar origem a diferentes neuropeptídeos conforme as diferentes maneiras de processamento. A síntese ocorre, então, primeiramente no retículo endoplasmático rugoso, seguindo, dentro de vesículas, para o Complexo de Golgi, onde esse propetídeo é clivado (sofre proteólise limitada, controlada pelo pH das vesículas) para que adquira a forma que será secretada pelas vesículas secretoras.

Esse processo de síntese ocorre no citoplasma perinuclear do corpo celular do neurônio, havendo necessidade de as vesículas serem transportadas para a terminação nervosa. Para tanto, o neuropeptídeo formado possui um domínio (“sorting domain”), que determina a rota de seu tráfego intracelular, bem como define sua conformação e função.

Sua ação em geral é mais prolongada que aquela mediada por neurotransmissores não-petídicos, e eles podem coexistir em um espaço sináptico, atuando em integração. Além da função neuroativa (relacionada à permeabilidade da célula pós-sináptica a íons, à regulação da liberação de neurotransmissores pela célula pré-sináptica, bem como às respostas excitatórias ou inibitórias), os neuropeptídeos podem ser encontrados atuando como hormônios, liberados na corrente sanguínea. Neuropeptídeos com resíduos de aminoácidos semelhantes são agrupados em famílias: opióides, neuro-hipofisária, taquicininas, secretinas, insulinas, somatostatinas, gastrinas.

Podem ser listados alguns tipos de neuropeptídeos pertencentes a cada uma dessas famílias:

•Opióides: Opiocortinas; Encefalinas e Dinorfinas.

•Neuro-hipofisária: ADH; Ocitocina e Neurofisinas.

•Taquicininas: Substancia P; Cassinina; Bombesina; Substância K; Uperoleína; Fisalaemia.
•Secretinas: Secretina; Glucagon; Peptídeo Intestinal Vasoativo (VIP); Peptídeo Inibidor Gástrico; GHRH; Peptídeo Histidina Isoleucinamida.

•Insulinas: Insulina; Fatores I e II do Crescimento semelhantes à Insulina. •Somatostatinas: Somatostatina; Polipeptídeo Pancreático.

• Gastrinas: Gastrina; Colecistoquinina.


A remoção desses transmissores da fenda sináptica pode ocorrer por difusão ou degradação enzimática, não havendo, como no caso dos neurotransmissores não-peptídicos, mecanismos para recaptação e reaproveitamento. Isso ocasiona grande dependência das terminações nervosas peptidérgicas em relação ao corpo celular nos locais distantes da síntese.




Referências Bibliográficas:

http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=6&materia_id=256&materiaver=1

http://www.scribd.com/doc/14180375/Bioquimica-neuropeptideos

Goodman, L. S. & Gilman, A. As bases farmacológicas da terapêutica. 9a edição, 1996.




Postado por Cecília Ramos Fideles.

6 comentários:

  1. Parabéns pelo texto produzido.
    Sou estudante de musicoterapia (RS),estou querendo escrever um capitulo no meu trabalho de conclusão sobre o ato de cantar e os possíveis beneficios para a saúde, que estruturas cerebrais estão envolvidas e os efeitos de metabolismo provocam nos sistemas para comprovação consistente, de que cantar promove saúde. Sou grato se obtiver um auxílio dos colegas. Everton (pirestom@hotmail.com)

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  2. Sou Professor da Área de Linguagens e Códigos e Suas Tecnologias na cidade de Tamboril(CE). Tenho 46, União Estável, e me chamo Tony H. Lima. Sou fascinado por esse assunto (os neurotransmmissores), principalmente os neuropeptídeos). Parabéns pelo trabalho de vocês, foi o melhor que eu li no assunto até hoje.

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  3. Faço Medicina Veterinária na UEMA. Esse texto me ajudou muito :D Obrigado

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  4. Sou profissional da medicina formado em 1960
    apenas por curiosidade já deram uma analisada no trabalho do Dr. Sergio Felipe de Oliveira da uniespirito.com.br em SP?
    braços
    luiz carlo

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  5. DIAGNOSTICADO COM E M DESDE ABRIL DE 2014, SOU APENAS CURIOSO PROCURANDO CONHECER MAIS DO NOSSO CEREBRO.
    TOMEI STAVIGILE POR QUATRO MESES E MEU CEREBRO ME SURPREENDEU.
    MEU NEUROLOGISTA CONSIDEROU QUE EU SERIA BIPOLAR.
    DE QUALQUER FORMA FOI UMA EXPERIÊNCIA MARAVILHOSA.

    OZEAS AUGUSTO CANUTO/SANTOS/SP.

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